Terça-feira, 10 de Abril de 2007

Diplomas...

Evidentemente, não alimentarei aqui o "diz que disse" do momento, que considero, acima de tudo, deprimente e infundado...No entanto, não posso deixar de me associar àquilo que diz JAS, no seu Política a SérioQuando os pais do primeiro-ministro lhe puseram o nome de José Sócrates (recordo que Sócrates é nome próprio e não apelido) mal podiam imaginar que o filho se veria envolvido numa polémica sobre as suas habilitações académicas.Que ironia! – um Sócrates questionado sobre a validade do seu diploma universitário.Mas, falando mais a sério, é preciso dizer que esta polémica é mesquinha.A questão da licenciatura de Sócrates só teria interesse num de dois casos:1. O primeiro-ministro estar a desempenhar uma função para a qual não tinha habilitações (como acontece com os médicos burlões que trabalham em hospitais sem nunca terem posto os pés em Medicina);2. O primeiro-ministro ter enganado os portugueses, dizendo-lhes ter um curso que não tinha.Ora, nenhum destes casos se verifica.O cargo de chefe do Governo não exige habilitações universitárias.E Sócrates sempre disse que se formara na Universidade Independente, depois de ter feito um curso médio em Coimbra.Portanto , onde está o problema?Porquê tanto barulho?Pode dizer-se que a licenciatura não tem grande valor, como até se vê pelo escândalo em que a universidade está envolvida.Mas os alunos (Sócrates e os outros todos) serão culpados disso?Não serão mais vítimas do que réus – por terem feito um curso que agora é desvalorizado?Pode dizer-se, ainda, que as equivalências foram demasiado generosas ou a passagem em certas cadeiras foi ‘facilitada’.Mas em quantas universidades, privadas e públicas, isso não aconteceu, sobretudo a seguir ao 25 de Abril, com milhares de alunos a beneficiarem de ‘passagens administrativas’?A polémica em torno do diploma do primeiro-ministro é pois mesquinha e um tanto parola.Tem que ver com a obsessão nacional em relação aos canudos, aos títulos de ‘senhor dr.’ ou ‘senhor eng.’. A única questão séria que este tema coloca diz respeito a outro problema: às universidades privadas.Por razões pessoais e familiares, sempre tive reservas em relação ao ensino privado.Frequentei uma escola primária pública, andei sempre num liceu público e formei-me numa universidade pública.E o mesmo aconteceu com os meus filhos.A certa altura, porém, achei que isto era um preconceito – e admiti que, à semelhança do que acontecia pelo mundo civilizado fora, não havia qualquer razão para o ensino privado em Portugal ser pior do que o público.Lamentavelmente, a minha desconfiança tinha fundamento.Os casos da Livre, da Internacional, da Moderna, da Independente, não deixam lugar a dúvidas: ainda não temos maturidade para um ensino superior privado credível.E, como não é justo que os jovens estejam expostos a estes percalços – tirando cursos que depois são desqualificados –, só há uma forma de agir: fazer avaliações rigorosas às universidades que existem, fechar as que não têm condições e só autorizar a sua reabertura depois de garantias seguras.Na fiscalização às universidades é preciso um homem do tipo do presidente da ASAE.Só assim será possível recuperar a credibilidade do ensino privado – permitindo que as universidades que mantêm a qualidade não sejam prejudicadas pela lama que atingiu as outras.Apenas deste modo se restaurará a confiança – impedindo que o justo pague pelo pecador.Quanto a Sócrates, só há que dizer o seguinte: não é pior primeiro-ministro por ter frequentado a universidade que frequentou nem seria melhor por se licenciar noutra qualquer.E não enganou ninguém: nunca disse ter-se formado na Sorbonne ou em Harvard – sempre se soube, desde o princípio, ter uma licenciatura na Independente.»É que eu NÃO entendo onde está a «polémica»!!!...
publicado por planetamercuryii às 10:28
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