Quarta-feira, 14 de Setembro de 2005

Francamente... não posso deixar de comentar o seguinte título do «Portugal Diário» de hoje: Ano lectivo arranca com «revolta surda» entre docentes

Passo então a transcrever:
O Partido Comunista Português considerou esta terça-feira que o ano lectivo arranca com uma «revolta surda instalada» entre os professores devido às medidas do Ministério da Educação (ME) «contra o corpo docente».
Jorge Pires, da comissão política do PCP, afirmou em conferência de imprensa que as decisões tomadas pelo Governo «vão criar níveis de instabilidade nas escolas incomparavelmente mais graves do que a anormalidade» registada no ano lectivo anterior.
Para os docentes está em causa o aumento da idade de reforma, o congelamento temporário da progressão nas carreiras e a reorganização do horário, que os obriga a passar mais tempo nas escolas.
«Quem conhece o ambiente das escolas sabe que há um clima de revolta surda instalada e os professores esperam que as medidas sejam revogadas», referiu Jorge Pires.
«Não é possível o ME estar contra os professores e pedir-lhes que tenham um papel decisivo no processo educativo», sublinhou o responsável comunista.
Sobre as mudanças introduzidas no novo ano lectivo, o PCP criticou a previsível «privatização» do ensino do Inglês no 3º e 4º anos do primeiro ciclo.
«Há muito que defendemos o ensino de uma língua estrangeira no primeiro ciclo, mas todo o processo tem que ser conduzido pelo ministério e não ser entregue a privados», alertou Jorge Pires.
No entender dos comunistas, quem fica a ganhar com a introdução da disciplina no primeiro ciclo são institutos privados de línguas, «quando há professores de Inglês desempregados».
«O governo deveria assumir as suas responsabilidades quanto ao financiamento das escolas do ensino básico, que deve ser suficiente para todas as actividades curriculares e extracurriculares», diz o PCP.
A alteração do modelo de concurso de colocação de professores também preocupa o PCP, que criticou o primeiro-ministro, José Sócrates, por ter anunciado as mudanças «com pompa e circunstância» e não ter mostrado ainda disponibilidade para negociar.
Jorge Pires considera positiva a estabilização dos docentes nas escolas através de concursos plurianuais, mas alertou que há outros problemas a resolver, como a situação dos professores deslocados e o actual sistema de quadros de escola.
«Se estes problemas não forem resolvidos está-se a criar a instabilidade dentro da instabilidade dos professores que agora é de um ano lectivo e passará a ser de três ou quatro», disse.(...)


Ora bem, sinceramente não entendo a «revolta» dos senhores docentes...
No que diz respeito ao «aumento da idade de reforma», considero que o assunto já se encontra amplamente debatido, caindo-se novamente no exaustivo tema que nos leva à discussão dos «privilégios» e «beneficios» dos funcionários públicos, cuja redução (tardia é certo) foi, quanto a mim, que também sou trabalhadora (mas não pública), para além de necessária, muitíssimo justa e bastante corajosa.
Agora o mais "gritante", quanto a mim, é o insurgimento dos Senhores Docentes no que diz respeito ás medidas adoptadas quanto à "reorganização do horário, que os obriga a passar mais tempo nas escolas".
Ora bem, eu, que já fui aluna e hoje sou mãe de um aluno do ensino básico (numa escola pública), sou testemunha dos problemas vividos pelos professores a cada ano, exactamente pela forma "nómada" como vivem a sua profissão no inicio das suas carreiras. Problema esse vivido igualmente por muitos pais, que veêm os seus filhos mudarem de professores a cada ano, vivendo adaptações atrás de adaptações, chegando o rendimento escolar dos mesmos a ser afectado por tão excessiva mobilidade.
E quando, finalmente, um Governo ousa mudar algo, logo surgem vozes que se levantam, considerando por um lado «positiva a estabilização dos docentes nas escolas através de concursos plurianuais», mas «alertando» (dizem) «que há outros problemas a resolver, como a situação dos professores deslocados e o actual sistema de quadros de escola» e que «se estes problemas não forem resolvidos está-se a criar a instabilidade dentro da instabilidade dos professores que agora é de um ano lectivo e passará a ser de três ou quatro».
Pois bem, então não entendo: o que é que pretendem os Senhores Docentes afinal? Que eu saiba, a profissão de Professor sempre se pautou por, no inicio de carreira, exigir dos docentes essa mobilidade cíclica e anual.
Não serão, portanto, as medidas agora adoptadas, um sinal claro de mudança (no bom caminho, é claro)? Não quererão tais medidas mostrar aos Senhores Docentes que se está a fazer algo (finalmente)?
Para finalizar, apenas me permitam analisar a «a previsível privatização do ensino do Inglês no 3º e 4º anos do primeiro ciclo» e a crítica do PCP, que avança, como solução, que «o governo deveria assumir as suas responsabilidades quanto ao financiamento das escolas do ensino básico, que deve ser suficiente para todas as actividades curriculares e extracurriculares».
Quanto a isto, apenas tenho a dizer que o meu filho, aluno do ensino básico, numa escola pública (como já referi), frequenta aulas de inglês, como actividade extracurricular, é claro, desde a pré-primária, tendo estas sido, sempre, proporcionadas por um estabelecimento privado, porque, até à data, tal disciplina não era disponibilizada pela escola que ele frequentava.
No entanto, outras actividades extracurriculares eram disponibilizadas pela escola do meu filho, tais como ginástica, judo, karaté, dança, teatro, futebol, basquetebol, ténis... mas todas proporcionadas por entidades particulares e nenhuma delas gratuita para os alunos.
Pergunto então: porquê tanto "alarido" quanto à introdução do Inglês nos mesmos termos?Acredito que falamos de uma questão que ainda irá, com toda a certeza, passar por uma fase experimental, em que algumas "arrestas" ainda têm de ser "limadas".
Há é que dar tempo ao tempo... afinal, pior que fazer, errar e ter coragem de corrigir... é não fazer!!!!
Ou não concordam comigo?
publicado por planetamercuryii às 16:15
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2 comentários:
De ligtav a 15 de Setembro de 2005 às 15:02
Obrigado pelo comentário. Será um prazer receber sempre a sua visita no «Liblog».


De pinto ribeiro a 15 de Setembro de 2005 às 11:46
...percebo-a, mas...atendendo ao que conheço não tenho o minímo optimismo no que a docentes diz respeito. são umas das corporações mais assustadoras, até em termos intelectuais, neste país de corporações.


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